Peixes do Xingu são monitorados por radiotelemetria na região de Belo Monte

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Cinco espécies de peixes estão sendo monitoradas com ajuda de transmissores de rádio e acústicos, ao longo de mais de 300 km do rio Xingu, na área de influência da UHE Belo Monte. Desde junho, biólogos e técnicos contratados pela Norte Energia estão implantando transmissores em pirararas, barba-chata, curimatás, surubins e filhotes a fim de observar a movimentação e possíveis alterações nas rotas migratórias dessas espécies depois do enchimento dos reservatórios da usina. As campanhas de marcação ocorrerão até dezembro e, até lá, 400 espécimes serão soltos no rio com os implantes. Os peixes serão monitorados continuamente até dezembro de 2018.

A segunda campanha desta etapa do trabalho começou no dia 5 de junho e 187 transmissores já foram instalados e os animais devolvidos ao rio, sendo 94 próximos ao sítio Belo Monte, 47 a jusante do sítio Pimental e 46 no reservatório do rio Xingu. Por meio de rádio receptores e hidrofones instalados 11 sítios específicos de detecção, o monitoramento realizado pela da Norte Energia registrará a rota das principais espécies migratórias que habitam o Xingu e, assim, poderá constatar possíveis mudanças nos hábitos desses animais depois da construção de Belo Monte.

As espécies monitoradas são as que se movimentam em longas distâncias para se reproduzir. As equipes de monitoramento orientam pescadores da região a coletar peixes adultos e entregá-los nos postos de trabalho científico às margens do Rio Xingu. Cada animal é identificado e registrado a partir da espécie, sexo, peso, comprimento e data de captura. Após o registro, é implantado o transmissor, que emite sinais de rádio e acústicos. Esses dados são captados por antenas e hidrofones a uma distância de até um quilômetro e armazenados em computadores. Posteriormente, as informações são usadas pelos pesquisadores para entender como os peixes se deslocam nos reservatórios de Belo Monte e nos trechos de rio a montante e jusante do empreendimento.

Os peixes da pesquisa também ganham uma pequena identificação externa, onde estão orientações e um número de contato telefônico para acionar caso o animal venha a ser capturado involuntariamente. Os biólogos e técnicos também estão em contato com as comunidades de pescadores para esclarecer sobre a importância do trabalho e da devolução desses equipamentos.

Uma das funções da pesquisa também é observar o funcionamento do Sistema de Transposição de Peixes (STP), construído no Sítio Pimental a fim de garantir o deslocamento das espécies no Rio Xingu após a implantação desta barragem. O sistema conta também com antenas que captam os sinais de dos transmissores e com monitoramento por câmera dos peixes que sobem ou descem o rio pelo STP.

O monitoramento de Ictiofauna no Rio Xingu também foi realizado pela Norte Energia antes do enchimento dos reservatórios de Belo Monte, em 2012. Na época, cerca de 400 indivíduos de pirararas, surubins, piraíbas, curimbas e pacu-seringa também receberam equipamentos de telemetria a fim de acompanhar a movimentação desses animais na região onde Belo Monte vinha sendo construída.

Por Anderson Araújo

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