Renata Pallottini recebe o Troféu Juca Pato 2017

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A União Brasileira dos Escritores (UBE) entregará  no próximo dia 24 de outubro, a partir das 19 horas, na Academia Paulista de Letras, em São Paulo ,o Troféu Juca Pato 2017, o mais importante prêmio intelectual do país  à  poetisa, dramaturga e ensaísta Renata Pallottini. Renata ganhou o prêmio pelo conjunto da carreira e especificamente pelo livro Poesia Não Vende, publicado em 2016 pela Hucitec Editora. “É uma honra imensa ganhar o Juca Pato, especialmente por tê-lo visto nascer, muitos anos atrás, quando fiz parte da reunião de criação desta belíssima homenagem à literatura brasileira. Recebo com alegria e uma boa dose de emoção este prêmio”, comenta Renata.

“A UBE faz justiça a uma grande intelectual brasileira, escritora polimática e defensora histórica das causas humanísticas”, comentou Durval Noronha de Goyos Jr, presidente da entidade.

A escritora conta que Poesia Não Vende surgiu da necessidade de reunir poemas feitos ao longo de muitos anos e que ela sentiu necessidade de tornar público no ano passado. “Fazia anos que não levava ao público minhas poesias e decidi escolher os poemas que considerava válidos para publicar, todos feitos em tempos de perdas e dores da minha vida”, explica ela.

E o nome do livro tem uma história curiosa. “Certa vez, fui a uma livraria e perguntei ao dono porque eles não colocavam livros de poesia nas estantes principais. O homem me respondeu: ‘Ah senhora, mas que bobagem! Poesia não vende!’. Achei essa fala muito oportuna para o título do livro”, comenta.

O livro possui 130 poemas que abordam diversos temas, de perdas afetivas e emocionais à pressa do mundo contemporâneo. Também toca em problemas profundos do Brasil, como no poema ‘A Mãe’ (Meu filho está na sarjeta / Alguém matou o meu filho/Tinha poucos anos e/Poucas culpas o meu filho. Era drogado e vencido/O meu filho; e era moço. Igual aos outros, meu filho/Era carne, pele e osso. Ninguém me disse por que/Alguém matou o meu filho. Acho que a alguém molestou/Acho que alguém o marcou. Para morrer, meu menino. Eu o pari, como sempre/Soem parir as mulheres; Com dor e com esperança/Como nascem as crianças. Alguém o ensinou a usar/Isso que usam os malditos. Dinheiro sempre; dinheiro. Dinheiro e gozo da vida. Muita festa e muito ruído/E um amor mal resolvido; Não sei dizer mais do que isso. Não sei dizer. Está dito”.).

Renata fala sobre o que é fazer poesia no Brasil.  “O Brasil lê pouco seus poetas, em parte porque as pessoas não sabem ler poesia, pois é um exercício constante, uma linguagem cifrada que nos aproximamos com interesse, curiosidade e carinho e deve-se estar aberto para receber o fluxo de suas belezas”, diz.

Renata Monachesi Pallottini, paulistana nascida em 1931, além de poetisa é contista, autora de literatura infanto-juvenil, dramaturga, roteirista e professora. Formada em direito pela Universidade de São Paulo e filosofia pela PUC-SP, começou como revisora na tipografia da família, onde imprimiu quase que manualmente seu primeiro livro de poemas, Acalanto. Fez artes cênicas na USP e começou como docente em 1964, além de trabalhar com teatro e roteiro para TV. No teatro montou a peça A Lâmpada (1960) e O Crime da Cabra (1965). Na TV foi roteirista do infantil Vila Sésamo e tradutora e roteirista de séries como Malu Mulher (TV Globo). Na literatura, sua obra poética inclui livros como A Faca e a Pedra (1962), Os Arcos da Memória (1971), Noite Afora (1978), Esse Vinho Vadio (1988) e A Menina que Queria ser Anja (1987). Apesar de vinculada à terceira geração do modernismo, sempre foi uma poetisa independente de escolas.

Renata já tem um próximo projeto, um romance inspirado na vida de seu avô, que veio da Itália, no começo do século 20, e foi morto “pelos donos do poder” em 1918 por apresentar as ideias do anarquismo no Brasil. “Vou arriscar um romance, ainda que a poesia seja, neste momento, a única forma de manifestar liberdade e esperança, já que a realidade está dura demais”, comenta.

Sobre o Troféu Juca Pato

Desde sua fundação, o Troféu Juca Pato é uma das mais importantes premiações intelectuais do Brasil. O prêmio já contemplou renomados nomes de pensadores e escritores brasileiros. O troféu foi criado em 1962, por iniciativa do escritor Marcos Rey. É uma réplica do personagem criado pelo jornalista Lélis Vieira e pelo ilustrador e chargista Benedito Carneiro Bastos Barreto, conhecido pelo pseudônimo de Belmonte (1896-1947). O Prêmio Intelectual do Ano não é um prêmio literário, mas uma láurea conferida a personalidade que, tendo publicado livro de repercussão nacional no ano anterior, tenha se destacado em qualquer área do conhecimento e contribuído para o desenvolvimento e prestígio do país.

Sobre a UBE

A União Brasileira de Escritores é a mais antiga associação de escritores do Brasil. Criada em 17 de janeiro de 1958, resultado da fusão da Sociedade Paulista de Escritores com a Associação Brasileira de Escritores, ABDE, teve como primeiros e principais líderes Sérgio Milliet e Mário de Andrade. Foi presidida por nomes como Paulo Duarte, Mário Donato, Mário da Silva Brito, Afonso Schmidt, Raimundo de Menezes, Fábio Lucas e Ricardo Ramos. Ingressaram, desde sua fundação, mais de 3.700 escritores de todo o Brasil.   O atual presidente da UBE é o advogado, especialista em Direito Internacional e autor de mais de 58 livros, Durval Noronha de Goyos Jr.

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