Hospital Regional de Santarém realiza primeiras cirurgias bariátricas no interior

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A jovem Andréia Freitas, de 25 anos, foi uma das quatro pessoas que passaram por cirurgia bariátrica (redução de estômago) no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém (PA). Em caráter piloto, esses foram os primeiros procedimentos realizados no Oeste do Pará. A partir da experiência, será feita uma análise sobre os resultados alcançados para verificar a implantação de um programa definitivo. Foram realizadas três cirurgias no dia 31/3 e uma em 2/4.

A realidade brasileira é preocupante. Mais da metade da população está acima do peso, sendo que quase 20% desse público apresenta algum nível de obesidade. Essa situação favorece o surgimento de doenças cardíacas, diabetes, hipertensão, problemas nas articulações, infertilidade e câncer, entre outros. “Além dessas várias doenças, ainda tem o aumento de transtornos psicológicos e psiquiátricos. Quando pensamos que essas pessoas sofrem de uma diminuição da autoestima, da percepção de como elas eram e de como estão atualmente, vemos que tem pessoas que não querem mais sair de casa, não querem ir à praia, a vida social acaba sendo muito comprometida”, diz o endocrinologista Manoel Alvarenga.

Segundo o secretário estadual de Saúde Pública, Vitor Mateus, a obesidade nas suas formas mais graves já é considerada um agravo de saúde pública reconhecido no mundo ocidental e com o desenvolvimento no Pará em decorrência de alguns hábitos alimentares. ”Hoje, temos na rede pública estadual o Hospital Jean Bitar, uma referência para a cirurgia bariátrica com êxito pleno. Agora, surgiu no Hospital Regional do Baixo Amazonas um polo na extensão dessa rede de atenção especializada voltada para resolver naquela região vários casos que apontava para a implantação de um serviço multidisciplinar. As primeiras cirurgias realizadas darão conta do acesso a um conjunto de ações à população mais carente, além de diminuir o risco inerente desta patologia. Ou seja, mais qualidade de vida e proteção do paciente que reside em localidades distantes da capital”, revelou Vitor Mateus.

Cirurgia

Andréia conta que buscou essa alternativa por conta dos problemas de saúde causados pela obesidade. “Eu estou com muita expectativa pelo resultado. Ainda estou em recuperação, mas eu quero tudo novo na minha vida. Eu recorri à cirurgia porque estava precisando, a minha saúde estava debilitada. Até mesmo o médico disse que eu não poderia ter filho com o peso que eu estava”. A jovem pesava 116 quilos. A meta, agora, é emagrecer 50 quilos.

O endocrinologista tem papel fundamental no tratamento contra a obesidade. Para realização da cirurgia bariátrica, esse profissional precisa emitir laudo atestando que o paciente é indicado para a cirurgia, já que os métodos convencionais para emagrecimento não surtiram efeito. O acompanhamento pós-cirúrgico também é essencial para o sucesso do tratamento. “É preciso observar as alterações hormonais, porque algumas facilitam o ganho de peso, porque se tratar apenas fazendo cirurgia, com o tempo, devido às alterações hormonais, a pessoa volta a ganhar peso”, explica Alvarenga.

O cirurgião Alberto Tolentino ressalta a importância do procedimento para a qualidade de vida. “Nós temos uma grande demanda de pacientes obesos e que apresentam também doenças relacionadas. Agora, com esse procedimento, eles poderão, se não tiverem a cura, ter as patologias amenizadas. E, com o resultado da cirurgia e o emagrecimento dos pacientes, voltarão a ter uma vida social melhor, melhorando, assim, a qualidade de vida”, fala o médico que participou dos procedimentos.

As cirurgias foram consideradas bem sucedidas pela equipe médica. A internação pós-cirúrgica não demorou mais do que dois dias. “Com aquisição do material de ponta específico para cirurgia tivemos e teremos condições de fazer cirurgias avançadas, como a bariátrica. Os resultados foram excelentes, os pacientes tiveram alta rápido e estão se adaptando bem à nova realidade”, diz o cirurgião Marcos Fortes, que também realizou as cirurgias.

O Hospital Regional de Santarém – gerenciado pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar sob contrato com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) – tem se tornado referência no interior da Amazônia em tratamentos de alta complexidade. Após realizar a primeira cirurgia cardíaca fora da capital do estado, em uma unidade pública, no dia 24/3, agora traz outro avanço fundamental para a saúde da população. “O projeto piloto para as cirurgias bariátricas no Hospital Regional é outro grande avanço no nosso projeto de descentralizar a alta complexidade e trazer esses serviços para o interior. A cirurgia bariátrica, em parceria com outros serviços, como a endocrinologia, tem o objetivo de reduzir o grande número de pessoas com obesidade, que acabam comprometendo a sua saúde. Para nós do hospital, para todos os profissionais e para nossa população, isso é, sem dúvida, um grande avanço”, explica o diretor-geral do HRBA, Hebert Moreschi.

Por Thaís Portela

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