Governo reafirma compromisso com investigações das mortes em Pau D’Arco

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“Não há versões do governo ou da Secretaria de Segurança Pública. O que teremos virá como resultado de todos os inquéritos apurados, das investigações que estão sendo feitas e dos laudos periciais que serão concluídos. Só depois disso saberemos o que ocorreu de fato”, declarou o secretário de Segurança Pública do Pará, Jeannot Jansen, durante coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (29), na sede da Secretaria de Segurança Pública, sobre as mortes ocorridas no município de Pau D’Arco, dia 24 deste mês.

Durante a coletiva, as autoridades policiais defenderam que ainda não é possível chegar a nenhuma conclusão. Foram abertos um inquérito policial militar e outro conduzido pelo Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil (DIOE), e ainda determinado o afastamento de todos os policiais envolvidos na operação. As 11 armas encontradas no local das mortes, entre elas um fuzil e uma pistola, foram apreendidas e serão periciadas.

Todas as investigações vêm sendo acompanhadas pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, bem como por representantes de organismos de defesa dos Direitos Humanos. “O que buscamos é a total imparcialidade na apuração desses inquéritos. Temos capacidade técnica de conduzir essa investigação de forma transparente e com isenção, para esclarecer a verdade dos fatos. Esse é nosso compromisso”, complementou o titular da Segup.

“A ação foi legítima, pois estava dando cumprimento a uma decisão judicial. Se houve excesso, isso a apuração vai dizer”, destacou o delegado geral da Polícia Civil, Rilmar Firmino, ao informar que, após a instalação das Unidades de Conflitos Agrários, não houve qualquer registro de mortes no Pará.

De acordo com dados da Divisão de Estatística da Polícia Civil do Pará, de 2011 até maio de 2017 foram cumpridos mais de seis mil mandados de prisão, sendo 2.896 deles no interior, e nenhuma morte foi registrada. Este ano, já somam 816 os mandados cumpridos até o dia 17 de maio, sendo 488 na região metropolitana de Belém e 328 no interior do Estado, sem nenhuma ocorrência de morte registrada. “Esses números mostram a eficiência e o preparo das nossas equipes policiais. O que ocorreu em Pau D’ Arco foi atípico, mas se for comprovado que houve algum excesso, o responsável ou os responsáveis responderão”, afirmou Rilmar Firmino.

Os inquéritos que apuram a morte de 10 pessoas na Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco, foram instaurados no dia 24 de maio, mesmo dia da ocorrência. O Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil tem prazo de 30 dias para apresentar os resultados da investigação, podendo ser acrescentado outros 30. Já o inquérito policial militar tem prazo de finalização de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20.

“O que temos até agora são os relatos dos policiais e as informações contidas nos relatórios de rotina feitos por eles, afirmando que houve troca de tiros entre civis e militares. O que ocorreu não foi uma situação normal, mas não vamos fazer qualquer pré-julgamento antes de todas as investigações serem concluídas. Para que fique bem claro, aquela não era uma operação de reintegração de posse ou de despejo, mas, sim, uma operação legítima para cumprimento de mandado de prisão preventiva, prisão temporária e de busca e apreensão de pessoas envolvidas no homicídio de um vigilante da fazenda e outras ocorrências policiais anteriores ao fato”, finalizou o secretário de Segurança Pública Jeannot Jansen.

Estiveram presentes na coletiva, além do titular da Segup e do delegado geral da Polícia Civil, o delegado Silvio Maués, da Diretoria de Polícia Especializada; o coronel Hilton Benigno, comandante geral da Polícia Militar; o coronel Leão Braga, sub-comandante da Polícia Militar do Pará, e o delegado Rogério Moraes, da Secretaria Adjunta de Inteligência e Análise Criminal da Polícia Civil do Pará.

 

Por Heloá Canali

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