Aprovação de crédito do BNDES para máquinas e equipamentos sobe 38% no primeiro quadrimestre

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O desempenho operacional do BNDES nos quatro primeiros meses confirma sinais de recuperação da economia com aumento das aprovações de crédito para o setor industrial e para a aquisição de máquinas e equipamentos. A Finame, linha de financiamento de bens de capital, acumulou R$ 6,7 bilhões em aprovações entre janeiro e abril, alta de 38% em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas em abril, a Finame aprovou R$ 2,1 bilhões em crédito, 50% a mais do que no mesmo mês de 2016.

Sem considerar máquinas agrícolas, ônibus e caminhões, as aprovações de crédito para demais bens de capital saltaram 159% nos quatro primeiros meses do ano, também na comparação com o mesmo período do ano passado. As operações aprovadas neste segmento somaram quase R$ 2,3 bilhões no primeiro quadrimestre de 2017.  

Entre os setores demandantes, a Indústria de Transformação totalizou R$ 1,4 bilhão em empréstimos da Finame aprovados entre janeiro e abril. O valor é quase três vezes maior que os R$ 468,8 milhões registrados nos primeiros quatro meses do ano passado. O crescimento de 197% foi o mais expressivo, mas também houve alta de 31% para projetos de Infraestrutura, Comércio e Serviços. A Agricultura teve R$ 2,6 bilhões aprovados na Finame, 12% a mais do que no primeiro quadrimestre do ano passado, a maior parte para a aquisição de máquinas agrícolas. Só a Indústria Extrativa teve queda, de 49%, nesse indicador.

BNDES Finame (Janeiro a abril de 2017)

Aprovações por setor demandante

(em R$ milhões)

Setor
2016
2017
▲%
Agropecuária
2.332,6
2.610,0
12%
Infraestrutura, Comércio e Serviços
2.036,2
2.673,8
31%
Indústria de Transformação
468,8
1.390,3
197%
Indústria Extrativa
23,9
12,2
(49%)
Total
4.861,5
6.686,3
38%
As aprovações da Finame servem de termômetro dos investimentos que serão feitos na economia no curto prazo, já que costumam se converter em desembolsos rapidamente: a média é de menos de duas semanas. As operações dessa linha são indiretas, com o crédito do BNDES repassado por bancos credenciados, que são os responsáveis pela análise e o risco dos contratos. O crescimento das aprovações nessa linha sugere um movimento de retomada da ocupação da capacidade instalada das empresas por meio de modernização de maquinário. O total de crédito já desembolsado pela Finame em 2017 somou R$ 5,5 bilhões até abril, ainda 10% abaixo do registrado nos quatro primeiros meses do ano passado.Dados agregados – A Indústria se destacou com alta de 34% nas aprovações do primeiro quadrimestre de 2017, somando R$ 4,6 bilhões, considerando os dados globais do Banco. O total aprovado pelo BNDES nos primeiros quatro primeiros meses do ano ficou em R$ 18,2 bilhões, apresentando estabilidade em comparação com o mesmo período de 2016. O indicador de aprovações antecipa os investimentos que ainda vão ingressar na economia, uma vez que os desembolsos são feitos apenas após a contratação do empréstimo, ao longo do desenvolvimento dos projetos.

Os demais indicadores operacionais do BNDES seguem refletindo o contexto econômico do país de recuperação lenta e gradual, que não se distribui uniformemente entre os setores. No consolidado do primeiro quadrimestre, o Banco registrou R$ 27,5 bilhões em consultas e R$ 24,6 bilhões em enquadramentos. As cifras significaram queda de 27% e 22%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2016. No entanto, houve altas expressivas nas consultas de setores relevantes como Celulose e Papel (370%), Mecânica (192%), Química e Petroquímica (136%), Alimentos e Bebidas (52%) e Têxtil e Vestuário (39%).

Entre os enquadramentos, etapa em que os pedidos de financiamento são encaminhados para análise nas áreas operacionais do BNDES, os setores de Mecânica, Celulose e Papel e Alimento e Bebida também se destacaram com fortes altas: 541%, 321% e 70%, respectivamente.  

Desembolsos – Os desembolsos do BNDES ainda refletem o quadro recessivo dos últimos anos, registrando queda de 15% no primeiro quadrimestre deste ano contra o mesmo período do ano anterior. Nos quatro primeiros meses do ano, o BNDES desembolsou R$ 21,4 bilhões. Apenas em abril, o Banco desembolsou R$ 6,3 bilhões, queda de 11% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Desde o segundo semestre do ano passado, há uma redução no ritmo de queda dos desembolsos do BNDES. Na primeira metade de 2016, as liberações caíram 42% ante o mesmo período do ano anterior. O segundo semestre mostrou retração mais amena, de 28%, também em relação ao mesmo período de 2015. Agora, a queda de 15% nos quatro primeiros meses de 2017 mantém a tendência de desaceleração.

No recorte regional, é possível verificar que a queda dos desembolsos do BNDES no primeiro quadrimestre foi concentrada no Sul (-31%) e Sudeste (-27%). No Centro-Oeste, Norte e Nordeste houve alta expressiva das liberações: 36%, 32% e 14%, respectivamente.

É importante observar que os desembolsos são um retrato do passado, uma vez que a tramitação dos pedidos de financiamento direto ao BNDES, apresentados como consultas, pode levar mais de um ano nas fases de enquadramento, aprovação e contratação até se converterem em desembolso. Por isso, não são adequadas comparações entre consultas e desembolsos no mesmo período, por exemplo.

Infraestrutura – A maior parcela dos desembolsos do primeiro quadrimestre foi para a Infraestrutura, que respondeu por quase 37% do total com R$ 7,9 bilhões liberados. Apesar da queda de 9% em relação ao mesmo período de 2016, segmentos de Infraestrutura tiveram forte expansão. Com uma concentração de investimentos em modernização de redes, o setor de Telecomunicações segue com liberações em alta desde o início do ano, acumulando R$ 703 milhões entre janeiro e abril. A cifra representa crescimento de 504% em relação ao desembolsado em igual período do ano passado. Transporte Ferroviário e Energia Elétrica também se destacaram com altas de 106% e 40%, respectivamente, na mesma comparação. O setor de Comércio e Serviços ficou com pouco mais de 22% dos recursos liberados pelo BNDES no primeiro quadrimestre, somando R$ 4,7 bilhões. A Agropecuária ficou com R$ 4,3 bilhões, equivalente a 20% do total de desembolsos. Já a fatia da Indústria foi de quase 21%, somando R$ 4,5 bilhões.

Capital de giro e MPMEs – Ainda em consequência da conjuntura econômica recente, a linha BNDES Progeren seguiu como principal destaque nos desembolsos do BNDES no primeiro quadrimestre de 2017. A linha, criada para oferecer capital de giro para que as empresas atravessem a crise preservando atividades e empregos, desembolsou R$ 2,2 bilhões entre janeiro e abril. O montante é 339% maior que o liberado no mesmo período do ano passado. No acumulado em doze meses, a linha BNDES Progeren soma R$ 4,4 bilhões emprestados em mais de dez mil operações, alta de 147% em relação aos doze meses imediatamente anteriores.

Outro destaque do primeiro quadrimestre foi a alta nas liberações para projetos de Inovação, que somaram quase R$ 700 milhões entre janeiro e abril deste ano. Frente ao mesmo período do ano passado, a alta foi de 13%.

Entre janeiro e abril deste ano, micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) ficaram com pouco mais de 38% de tudo o que o BNDES desembolsou, o equivalente a R$ 8,2 bilhões. O montante é 13% menor do que o desembolsado para o segmento no mesmo período do ano anterior, resultado influenciado principalmente pela queda de 35% entre microempresas. Houve recuo bem mais ameno entre pequenas empresas, de 1%, e alta de 25% entre médias. As liberações para grandes empresas caíram 16% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2016, somando R$ 13,2 bilhões entre janeiro e abril deste ano.

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