Recenseadores do IBGE percorrem a imensa região de Altamira e enfrentam desafios

Recenseadores do IBGE percorrem a imensa região de Altamira e enfrentam desafios Destaque

Conhecida Brasil afora por ser o maior município do país e a cidade mais próxima da usina de Belo Monte, Altamira abriga uma grande diversidade de estabelecimentos agropecuários e sua importância para a economia agrícola do Pará será registrada pelo Censo Agropecuário 2017. A grande extensão territorial da região sob responsabilidade da Agência do IBGE em Altamira oferece diversas dificuldades para os 70 recenseadores contratados para este Censo, que precisam percorrer as distâncias de avião, motocicleta, barco, jipe, canoa e, claro, a pé. Há perto de 15 mil estabelecimentos para serem visitados em 8 municípios (entre eles Altamira), e, até dezembro de 2017, cerca de metade deles já havia recebido o IBGE. A área é uma mistura de regiões urbanas, propriedades agropecuárias, Floresta Nacional, Unidades de Conservação, aldeias indígenas e Reservas Extrativistas. De acordo com Douglas Oliveira, chefe da Agência em Altamira, uma das grandes dificuldades dos recenseadores é alcançar aldeias indígenas e locais onde moram os ribeirinhos: “Precisam sempre de alguma ajuda para acessar essas áreas, de algum guia, pois as pessoas têm medo. Órgãos do governo não costumam ir lá, e há a questão territorial e o medo de que ocorra diminuição das terras indígenas.” O recenseador Júlio Garcia, 47, passou por dificuldades ao visitar a aldeia Panará, uma das várias encontradas na região de Castelo dos Sonhos e Cachoeira da Serra. Apesar de terem recebido autorização do cacique para pousar e fazer a entrevista, ele e o piloto do avião ficaram detidos na aldeia depois que um dos indígenas ficou desconfiado ao ver o DMC (Dispositivo Móvel de Coleta). “Um índio ficou bravo com o uso do ‘celular’ e tive que guardar imediatamente, nem consegui terminar a entrevista”, conta Garcia. Depois de alguma insistência conseguiram decolar, mas sem realizar a coleta. Apesar de obstáculos como esse, Garcia diz que também há momentos surpreendentes, como um jogo de futebol antes da entrevista com um cacique e até mesmo a ceia de Natal na aldeia Krambari. “Os povos indígenas têm uma realidade muito diferente da nossa, são muito acolhedores e muito direitos com seus compromissos”, relata o recenseador, que participa pela primeira vez de um Censo do IBGE. “A ideia do Censo é conhecer o Brasil como ele é, mostrar a realidade das comunidades, pequenas e grandes”, afirma Oliveira, da Agência de Altamira. No primeiro semestre de 2018, quando serão divulgados os resultados desse imenso trabalho de coleta de dados, será possível entender melhor a dinâmica da agropecuária e dos diferentes povos que tiram seu sustento das águas e terras nessa extensa região do Pará. Por Claudia Sedano Crescente

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.